Desvalorização

Meu filho de 8 anos de idade recebeu de troco uma moeda de 10 centavos datada de 1995.

Ele achou incrível que esta moeda tenha circulado todo esse tempo por aí, 26 anos. Bom, qualquer um pensaria nisso. Vinte e seis anos mudando de mão, de bolso e carteira. Por quantas caixinhas, cofrinhos, gavetinhas etc. essa moedinha já passou?

Aí o garoto me fez a pergunta mais importante, segundo ele:

Essa moeda é rara?!?!

Júlio Arruda

Se você conhece o universo dos videogames, sabe exatamente o porquê desta pergunta. Itens raros — ou lendários — valem mais, sempre.

E como explicar que no mundo tudo cresce: as economias, a população, a quantidade de itens etc; e que para tudo isso é necessário ter-se mais dinheiro em circulação. E quando isso acontece, ele perde valor pois, justamente, deixa de ser raro.

Então, apesar de ser velha, a moeda não é rara e, pior, vale menos do que quando foi cunhada em 1995.

Contei a história de quando abastecia meu carro em 1995. O litro de gasolina custava mais ou menos 75 centavos. Sete moedinhas iguais àquela.

Ao passarmos em frente a um posto de gasolina, apontei para a placa que indicava 6 reais o litro. Perguntei a ele quantas moedinhas eram necessárias para juntar 6 reais.

Ele deu de ombros. Não sabia calcular. Ele ainda não foi apresentado ao incrível mundo das “contas de dividir”.

— “São 60 moedinhas iguais a esta.”, respondi.

Silêncio dentro do carro, do posto até chegarmos em casa.